Desde o início de nossas atividades em 2003, a política de drogas sempre foi o eixo principal da organização. Entendemos que a regulamentação do uso das drogas consideradas ilícitas é uma questão de tempo. Mas se nada for feito para facilitar a transição do atual modelo repressor para um modelo tolerante, o custo poderá ser alto: o fim da proibição de drogas provavelmente será decorrente dos níveis insuportáveis de violência e criminalidade que a Guerra às Drogas terá atingido. Isso acarretará uma dificuldade ainda maior do que a existente hoje na execução de medidas de saúde pública para atendimento das pessoas que usam drogas.
Foi assim que ocorreu quando nos anos 1920 foi implantada a Proibição da produção e do comércio de bebidas alcoólicas nos Estados Unidos. Em 1932, doze anos depois, devido à crescente violência, a própria sociedade pediu arrego e a Proibição foi revogada. E do jeito que a violência e a miséria relacionadas à economia das drogas proibidas têm aumentado no mundo contemporâneo, parece que a história vai se repetir – como costuma acontecer. Temos o defeito de não aprendermos com os erros.
O atual sistema de controle de drogas na verdade não controla nada. Quem controla as drogas ilícitas são aqueles que as produzem, distribuem e comercializam. O atual sistema entrega o monopólio desses produtos à indústria ilícita de drogas, chamada de narcotráfico. Os delegados das conferências internacionais que ocorreram ao longo do século passado decidiram proibir determinadas drogas e plantas. Provavelmente não tinham noção da violência, miséria e destruição que o regime que estavam criando causaria e continua causando.












