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09/03/2010 | Política de Drogas |
Dilma: 'Descriminalização das drogas é um tiro no pé'

Enviado por Jorge Antonio Barros

A virtual candidata à presidência da República com maior vantagem nas pesquisas eleitorais, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, afirmou que "a descriminalização das drogas é um tiro no pé", em entrevista à revista "Época" desta semana. Ela também não está nem um pouco convencida de que exista algum estudo que comprove que uma droga leve, como a maconha, não conduza ao uso de outra, mais pesada - uma tese completamente rejeitada pelos defensores da legalização das drogas ilícitas. Admiro a ministra Dilma por ter sido uma combatente contra a ditadura militar, embora não me empolgue com sua candidatura. Mas não posso deixar de lhe dar parabéns por sua postura sensata em relação à onda favorável à legalização das drogas no Brasil.

Como sabem os comentaristas assíduos deste blog, que me adoram, não sou favorável à prisão de usuários de drogas como maconha, mas continuo sendo contrário à liberação do uso, venda e posse desse entorpecente, obtido por meio de uma planta que continua proibida em todo o mundo. Dos outros, então, nem se fala.

A parte da entrevista em que a ministra fala sobre drogas é a seguinte:

""ÉPOCA Como a  senhora vê a descriminalização das drogas?

Dilma  - A droga é uma coisa muito complicada. Não podemos tratar da questão da droga no Brasl só com descriminalização. Estou muito preocupada com o crack. O crack mata, é muito barato, está entrando em toda periferia e nas pequenas cidades. Não vamos tratar  o crack única e exclusivamente com repressão, mas com uma grande rede social, que o governo integra. Há muita entidade filantrópica nas clínicas de recuperação. A gente tem de cuidar de recuperar quem já está viciado e cuidar de impedir que entrem outros. Tem que cuidar também para criar uma política de esclarecimentos sobre isso. Não acho que os órgãos governamentais, Estado, municípios e União, vão conseguir sozinhos. Vamos precisar de todas as igrejas e entidades que têm uma política efetva de combate às drogas. A questão da droga no século XXI é muito diferente daquele tempo de Woodstoc, que tinha um componente libertário.

ÉPOCA - A senhora é a favor da repressão mesmo no caso de drogas leves, como a maconha?

Dilma - Não conheço nenhum estudo que comprove que a droga leve não seja passo para outra.  Esse é o problema. Num país com 50 milhões de jovens entre 15 e 29 anos, é complicado falar em descriminalização, a não ser que seja para fazer um controle social abusivo da droga. Não temos os instrumentos para fazer esse controle que outros países têm. A não ser que a gente tenha um avanço muito grande no controle social da droga, fazer um processo de descriminalização é um tiro no pé. O problema não é a maconha, mas é o crack. O crack é uma alternativa às drogas leves, médias, pesadas. Não é possível mais olhar pura e simplesmente para a maconha, que não é um caso tão extremo nem tão grave."

Como bem disse o representante do Escritório das Nações Unidas para Crimes e Drogas (Unocd), Bo Mathiasen, em matéria publicada ontem no GLOBO, "a planta Cannabis é uma planta ilícita. Nenhum país tem proposto legalizar esta planta. Será que você acaba com a violência e com o crime organizado legalizando a  maconha? Nossa resposta é não!"

Parabéns, Mathiansen! No que depender de mim, vou resistir até o último usuário de maconha a essa ideia absurda de que a legalização é a saída.
 

Fonte: Blog Sobredrogas

Tags:
Dilma Rouseef, Maconha, Epoca, Repressao